Cana-de-açúcar
Em termos de produção mundial, a cana de açúcar (Saccharum officinarum L.) é o principal cultivo para produção de açúcar do mundo vegetal. A produção atual situa-se em torno de 1450 milhões de toneladas de cana, a partir de 22 milhões de hectares em todo o mundo. O Brasil e a Índia são os países mais importantes do mundo no segmento de produção de cana de açúcar, representando quase 60% da produção mundial.
Além da indústria alimentícia, esta cultura está a ganhar enorme relevância no setor dos
biocombustíveis. O Brasil, por exemplo, utiliza 48% da sua produção de cana de açúcar para produzir etanol, enquanto o restante é utilizado para a produção de açúcar. Na Ásia, países como Índia, China, Tailândia, Filipinas e Paquistão já elaboraram planos ambiciosos para usar a cana de açúcar como cultura de biocombustível para a produção de etanol. Essa produção vai cumprir com algumas exigências, como a mistura de combustível E10 - onde 10% do combustível é composto de etanol e 90% de gasolina, entre outras exigências (E5, E7, etc.).
A cana de açúcar é cultivada em mais de uma centena de países sob condições temperadas, subtropicais e tropicais. A cana de açúcar é basicamente uma cultura de climas tropicais, com rendimentos significativamente afetados pela temperatura, umidade relativa e radiação solar. A melhor média de amplitude térmica diária é de 14 a 35°C. Da mesma forma, a umidade relativa variando entre 55 e 85%. O período de grande crescimento favorece a evolução do colmo. A exigência de radiação solar é de 18 a 36 MJ/m2 (Total anual: 6350 MJ/m2). O crescimento do colmo aumenta quando a luz do dia está na faixa de 10:00 a 14:00 horas. A cana de açúcar pode ser agrupada em três fases de maturação: precoce, médio e tardio. Variedades resistentes a diversas pragas e doenças também têm sido desenvolvidas em grandes regiões de cultivo de cana de açúcar em todo o mundo tropical e subtropical.
A cana de açúcar exige solo porosos de boa drenagem, bem arejado, com pH de 6,5. Solos compactados (> 1,6 a 1,7 g/cm3) afetam a penetração da raiz e a absorção de água e nutrientes. A cultura é moderadamente sensível a salinidade do solo. O padrão de plantio é de linha dupla, comumente chamado de “plantio abacaxi” e o espaçamento utilizado é de 1,4 – 1,5 + 0,4 m entre linhas, sendo que o tubo gotejador é enterrado entre as linhas de cana, em uma profundidade aproximadamente de 0,15-0,25 m , de acordo com as caracteristicas do solo. A cultura é cultivada por propagação vegetativa e requer 12 – 16 gemas viáveis por metro linear, a fim de manter uma população toucheiras que possam ser moído.
A aplicação da irrigação por gotejamento e nutrirrigação em cana de açúcar, provou ser tecnicamente e economicamente viável. Em muitas situações agro-ecológicas, a irrigação por gotejamento registrou maiores rendimentos (50 a 90 t/ha), redução do uso de água (30 a 45%) e fertilizantes (25 a 30%). Além disso, com a irrigação por gotejamento há aumento no teor de sacarose (ATR), em comparação com os sistemas de irriação via sulco e canhão, entre outros métodos de irrigação como pivô central e aspersão.
Na África, região de Suazilândia, irrigou com gotejamento, a cana de açúcar cultivada em 6.715 hectares com sistema de irrigação subsuperficial por nove anos (+ 8 culturas vegetais ratoon3 temporadas), registrou um rendimento médio de cana de 107 para 126 t/ha e pol4 de 15,6 para 18,2 t/ha. Embora o aumento de sacarose tenha sido de 1,6 ton/ha/ano, o acompanhamento dos resultados, em comparação a um sistema de pulverização de reboque, foram as seguintes: potência conservação 4.6 kVA/ha/ano, conservação de operações e manutenção de 140 dólares/ha/ano, conservação da água 150mm/ha/ano e uma taxa interna de retorno (TIR) de 29%
Para rendimentos altos, as necessidades hídricas das culturas sazonais para colheita de cana de açúcar foram estimadas entre 1.100 e 1.500 mm/ha, em uma gama de condições climáticas e de duração variável de safras agrícolas (12 - 14 meses), com uma taxa diária de evapotranspiração entre 4 e 7 mm/dia. Utilizando tensiômetros no sistema de irrigação (25 - 60 centibars em diferentes fases de desenvolvimento das culturas), consegue-se o uso eficiente de água, fertilizantes e insumos energéticos.
A cana de açúcar é muito exigênte em termos nutricionais. Seu sistema radicular é superficial e faciculado, portanto, a fertirrigação é recomendada para que se obtenha maior eficiência nutricional, de disponibilidade e utilização. O objetivo do programa de fertirrigação é encontrar o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda das culturas. As exigências nutricionais da cana de açúcar irrigada por gotejamento são relativamente elevadas: 250 a 300 kg/ha N, 80 a 100 kg/ha de P2O5, 125 a 250 kg K2O por hectares. As quantidades de nutrientes removidos pelas plantas de cana de açúcar por tonelada de rendimento são as seguintes: 0,7 - 1,2 kg N, 0,4 - 0,8 kg de P2O5, 1,8 - 2,5 kg K2O. As melhores práticas de manejo agrícola incluem, a proteção da cultura contra pragas e doenças, controle de plantas daninhas, operações de colheita e pós-colheita para minimizar perdas de açúcar.
1- Um broto está desenvolvendo-se em uma parte de uma planta que vai se transformar em uma flor, novas folhas ou caule.
2- Tolete é um pedaço de cana que contém uma ou mais gemas. As raizes se originam de uma faixa do tolete conhecida como zona radicular , entretanto, nos primeiros dias após a germinação, as plântulas utilizam as reservas do tolete para se desenvolverem.
3 -Soqueira é o nome dado as cana de açúcar que rebrotam após o primeiro corte, sendo esse nome também utilizado para os demais cortes. Cana planta é o nome dado a cana de açúcar antes do primeiro corte
4- A pol (polarização) é uma medida de teor de sacarose de açúcar. Açúcar com 98 pol, ou 98 graus pol, contém cerca de 98% de sacarose.
Líder da Netafim no conhecimento de cana de açúcar
O Sr. Krontal Yoram é o agrônomo encarregado de culturas energéticas na divisão de Bioenergia da Netafim. Ele trabalhou anteriormente como um agrônomo de cana-de-açúcar pelo período de dois anos. Yoram desenvolveu sua experiência em cana de açúcar através de seu trabalho como um agrônomo na Netafim Brasil, ao longo de um período de seis anos (2001-2006).
Líder da Netafim no conhecimento de cana de açúcar
Yoram tem desenvolvido um programa de software chamado "Fertinet" para ser utilizado como uma ferramenta de gestão de interface para fins de irrigação e adubação em sistemas de irrigação por gotejamento. Ele estava envolvido no desenvolvimento de um sistema automático de injecção de calcário (CaOH2) através do sistemas de gotejamento, a fim de reforçar o pH em solos ácidos. Além disso, Yoram participou do desenvolvimento de uma interface de irrigação para plantações que não possuem quantidade suficiente de água para irrigação.
Investigação e formação acadêmica
Como muitos agrônomos da Netafim, Yoram está envolvido com pesquisas, incluindo uma série de experimentos em cana de açúcar e de cítricos, com instituições de pesquisa no Brasil e em Israel. Yoram tem escritos seis artigos acadêmicos. Em 1998, Yoram completou seu mestrado na agricultura, no departamento de campo das culturas, produtos hortícolas e de genética na Faculdade de Agricultura, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele tem grau de bacharel a partir da mesma instituição acadêmica foi concluído no departamento de proteção de plantas.



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